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Parque Ibirapuera: um exemplo do futuro da mina após a operação

Atualizado: 24 de Dez de 2019


O Parque Ibirapuera, localizado na zona sul de São Paulo, foi inaugurado em 1954 e é considerado um dos maiores parques da cidade, com uma área total de 158 hectares. Apesar de ser um local usualmente frequentado pelos paulistanos e por turistas, a história de sua criação é pouco conhecida. No passado, o terreno que compreende o parque era alagadiço e pertencia a uma aldeia indígena na época da colonização portuguesa, mas mais do que isso, o Parque Ibirapuera apresenta um passado com a mineração.


Na área de mineração a céu aberto e subterrânea, além de do plano de lavra, que contempla estudos da geologia local, das leis ambientais e da saúde dos trabalhadores, a legislação exige que todo projeto a ser implementado deve conter um plano de restauração da vegetação nativa, o PRAD (Plano de Recuperação de Área Degradada), ou seja, um documento que contenha os detalhes do que deve ser realizado na mina desativada de modo que a região alcance um estado de vegetação próximo ao que era antes de sofrer alterações. O lago central do parque é o produto deste plano para uma cava de areia, já desativada, que existia no local.


E como exatamente o PRAD funciona? Ele é regulamentado por um decreto federal e exigido pelos órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento de atividades que impactam o meio ambiente. Apesar de estar amplamente conectado com a área de mineração, engenheiros de minas não são profissionais habilitados para a realização do plano de recuperação, este papel é encarregado ao engenheiro florestal ou, em alguns casos, ao engenheiro agrônomo.


Antes da realização do plano, é feita a identificação e a caracterização das áreas degradadas que compreendem a avaliação preliminar da degradação e a implementação de medidas emergenciais. Concluída essa etapa e realizado o planejamento da recuperação, o plano é analisado pelo órgão ambiental e pode ser aprovado ou não. Se não for aprovado, é realizado um novo plano, mas se for aprovado, o plano é implementado, de modo simultâneo ou não à operação da mina, com monitoramento e manutenção durante todo o processo, e ao final, há o encerramento da mineração e consolidação do solo.


O plano deve conter a caracterização e avaliação completas das atividades a serem desenvolvidas e da degradação ambiental, a definição e análise das alternativas tecnológicas de recuperação, a definição e implementação das medidas de recuperação, e as proposições para monitoramento e manutenção das medidas corretivas implementadas. Para a mineração, o PRAD deve incluir: as áreas de lavra, isto é, cava, bancadas, taludes e superfícies decapeadas; áreas de infraestrutura, que são as unidades de beneficiamento e vias de circulação; as áreas de disposição de rejeitos, ou seja, pilhas de bota-fora, estéril, solos superficiais e barragens.


O Plano de Recuperação de Área Degradada pode resultar em implantação de lagos, a exemplo do Parque Ibirapuera, mas as áreas também podem ser reflorestadas, podem ser erguidas construções, como parques de diversão, edifícios residenciais ou comerciais, e muitos outros. Assim, ao mesmo tempo que a mineração afeta o meio ambiente, ela se preocupa em restaurá-la da melhor forma possível.

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