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Ouro: por que seu preço sobe em tempos de crise?

Atualizado: 22 de Out de 2019

Você com certeza conhece o ouro: reconhece sua cor, seu significado e seu valor. Este metal, utilizado desde o antigo Egito como joia e ornamento, sempre foi atrelado a prestígio e poder. Ele é extremamente belo, raro, maleável e incapaz de sofrer corrosão. Mas isso tudo você provavelmente já sabia, não é? Com o recente assalto a 718,9 kg de ouro da mineradora Kinross no terminal de carga do aeroporto de Guarulhos em julho deste ano e o aumento significativo da cotação do ouro, o mais cobiçado dos metais está nas manchetes, e por isso separamos algumas outras informações importantes sobre ele.


Quanto vale um grama de ouro? Um quilograma?? Uma ton...??? Uma onça?!



O ouro é produzido e comercializado na forma de barras ou lingotes, possuindo inúmeros padrões, um deles é a medida padrão internacional de barras de ouro: a onça troy, equivalente a 31,1035 gramas. Uma onça troy vale atualmente cerca de US$1.508,88 o que é equivalente a R$6.175,11. O alto preço atual do ouro é resultado de uma cotação que subiu 25% nos últimos meses, atingindo valor superior a US$1.500, algo que não ocorria desde março de 2013. Mas por quê?


Quem acompanha o mercado percebe que o preço do ouro sempre dispara em momentos de crise e incerteza. Tensões geopolíticas, guerra comercial entre Estados Unidos e China, mercados financeiros em queda e constante medo de recessão. Em razão desses fatores o valor do metal dispara, sendo um dos investimentos mais procurados pelos investidores nos cenários de crises globais. O ouro é extremamente procurado nessas situações por ser um dos ativos financeiros mais seguros da economia mundial, alguns dos fatores que o levam a isso são suas propriedades físicas já conhecidas, que o levaram a ser historicamente um lastro de reserva monetária para inúmeras economias; sua raridade; ser um ativo físico, possuindo valor intrínseco, diferentemente da moeda que é um papel no qual atribui-se um valor representativo. Dentre esses e outros fatores secundários, o ouro é considerado um porto seguro para a instabilidade financeira.


E o Brasil... produz muito ouro?


Com o gigantesco assalto ao ouro da Kinross, foram roubadas 23.113,172 onças troy, tudo isso produzido bem aqui, no nosso país. Além da Kinross, segunda maior produtora de ouro em solos tupiniquins com sua operação em Paracatu-MG, responsável por cerca de 19,13% da produção segundo dados do DNPM, outras empresas também têm participação significativa na produção aurífera brasileira. A tabela a seguir mostra a participação (%) de cada empresa no setor aurífero:

Tabela 1: Participação (%) de empresas na produção brasileira de ouro.


Fonte: ANUÁRIO MINERAL BRASILEIRO 2018

No total, as empresas produziram cerca de 79.817 kg de ouro, gerando um valor total de R$7.884.737.729, levando o país a figurar entre os 11 maiores produtores do mundo. Os maiores produtores do mundo, segundo dados do Mining.com para 2018, são a China, com produção de 404.100 kg, seguida por Austrália e Rússia. O montante mundial deste precioso metal para o mesmo ano foi de 3.502.800 kg, falando na linguagem do ouro, 112.617.637 onças troy.


Com tamanha produção e valor, o ouro certamente continuará figurando entre um dos bens mais desejados e utilizados pela humanidade. Isso nos mostra que a mineração terá ainda mais desafios pela frente, buscando desenvolver tecnologias para realizar lavras em regiões com teores cada vez menores, sendo assim capaz de suprir a demanda por esse elemento que nos fascina há muito tempo.

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Equipe USP Mining Team 2019