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Barragens de Rejeitos: Como elas são administradas?


Desde o primeiro dia do ano de 2020, o estado de Minas Gerais tem sido alvo de chuvas intensas, que, além de afetar o cotidiano dos habitantes, apresenta grande impacto na área da mineração. Devido à intensidade e quantidade das chuvas, a Agência Nacional de Mineração, ANM, emitiu, no fim de janeiro, um alerta em 4 estados brasileiros (Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás) de modo que se aumente a segurança e o monitoramento das barragens

Com esse estado de alerta, as barragens foram classificadas em diferentes níveis de risco: o nível 1 não requer a retirada de moradores das áreas de risco e nem o toque de sirenes; no nível 2, há acionamento de sirenes e planos de evacuação postos em prática; e no nível 3, há um risco iminente de rompimento.

Devido aos acontecimentos dos últimos anos e, agora, o estado de alerta, é importante saber o que são e como funcionam as barragens na mineração e quais são as medidas para prevenção e administração de acidentes.

A partir de 2010, todas as barragens devem ser cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens, SNISB, pelo órgão fiscalizador, que para a mineração é a ANM. Nesse banco de dados, estão presentes informações como o nome da barragem, a empresa responsável, a localização, o nome do minério, e o nível de risco e o dano potencial associado. Além disso, todo empreendimento na área de mineração que possua barragens deve possuir o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração, PAEBM, que contém um conjunto de procedimentos que tem por objetivo identificar e classificar situações que possam pôr em risco a integridade da barragem, de modo que se possa estabelecer ações necessárias para a resolução de emergências. Assim, em casos de emergência, o PAEBM deve ser acionado e o Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens, SIGBM, deve ser informado.

Na construção da barragem, o primeiro passo é a escolha do método a ser utilizado. Há diversos tipos de barragens, mas o mais comum é por aterro hidráulico que possui três métodos que se diferenciam apenas na direção em que se é realizado o alteamento: alteamento a montante, alteamento a jusante e o método da linha de centro. Nesses três métodos, há a construção de um dique de partida, e ao longo do enchimento da barragem, constroem-se os alteamentos.

Em geral, após a retirada do minério da mina, ele é encaminhado para a usina de concentração, onde ocorre o processo de beneficiamento, no qual há a separação de concentrado, o produto, e de rejeito, toda substância que não seja o minério final. Enquanto o minério segue para uma outra etapa ou para seu destino final no mercado, o rejeito, que é uma mistura de sólidos e água, é direcionado para a barragem. Assim, sua função principal é de armazenamento de toda substância que não seja o minério desejado, ou seja, pode conter outros minérios que não apresentam interesse imediato para a mineradora. Ao longo de seu preenchimento, os sólidos afundam até o fundo da barragem e a água é retirada, tratada e reutilizada na mineração, ou seja, ao final a barragem é composta por uma lama e se torna inativa quando atinge seu nível máximo.

Um dos problemas do rompimento de uma barragem está principalmente nesta lama, pois pode conter ou não metais pesados, que são tóxicos. Estes metais trazem danos tanto à saúde humana, quanto ao meio ambiente. No caso de a lama não apresentar toxicidade, ainda pode causar danos químicos e físicos ao ecossistema da região que atinge, como rios, fauna e solo. Do ponto de vista químico, essa lama pode afetar a composição do solo e torná-lo infértil, e do físico, ela tem a habilidade de soterrar construções e criar uma camada seca de lama que dificulta a penetração de água.

Com as chuvas intensas na região sudeste, há uma grande preocupação na segurança das barragens, tanto em relação à estabilidade de sua estrutura, quanto ao nível da lama. Para isto existem as medidas para prevenir ou controlar os acidentes como as informações disponíveis no SNISB, o SIGBM, o PAEBM, o estado de alerta, e as classificações dos níveis de risco.

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Equipe USP Mining Team 2020